A incorporação da Inteligência Artificial (IA) ao campo educacional vem ampliando as possibilidades de personalização do ensino, análise de dados de aprendizagem e construção de ambientes interativos. No ensino de Estatística e Probabilidade, entretanto, o valor pedagógico dessas tecnologias depende menos do seu apelo instrumental e mais da forma como são integradas ao currículo e mediadas pelo professor. Este artigo tem por objetivo analisar criticamente o papel da IA no desenvolvimento do pensamento estatístico e probabilístico na educação básica, com ênfase em suas potencialidades pedagógicas, em seus limites e em suas implicações para a prática docente. Metodologicamente, o estudo consiste em revisão bibliográfica qualitativa, de caráter analítico-interpretativo, voltada à articulação entre literatura de educação estatística, educação matemática, IA em educação e documentos institucionais pertinentes. A literatura examinada permite sustentar que sistemas adaptativos, simulações, visualizações dinâmicas e recursos de analítica educacional podem favorecer a exploração de dados, a compreensão da variabilidade e a interpretação de situações de incerteza. Também se verifica, contudo, que a pertinência pedagógica dessas ferramentas depende da mediação docente, da formação tecnológica e didática, da infraestrutura disponível e da observância de princípios éticos relativos à proteção de dados, à transparência e à equidade. Conclui-se que a IA pode contribuir de modo relevante para o ensino de Estatística e Probabilidade, desde que seja compreendida como tecnologia de apoio à investigação, ao raciocínio e à tomada de decisão, e não como substituta do trabalho intelectual do estudante ou do julgamento pedagógico do professor.
Publication Date: 2026-06-20