REPRESENTAÇÕES DA DESIGUALDADE SOCIAL NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA.

Description

A introdução do capítulo, ao delimitar esse campo, também precisa evidenciar que a desigualdade social brasileira é atravessada por regimes de gênero que incidem sobre a maternidade, o trabalho, a sexualidade, a violência e a autonomia feminina. Silveira (2022), ao investigar representações da maternidade em contos da literatura brasileira contemporânea, mostra que a figura materna não pode ser lida como experiência universal, pois sua construção envolve expectativas sociais, imposições morais e diferenças de classe, etnia e contexto. Paiva (2024), ao estudar as mães na obra de Conceição Evaristo, aprofunda essa leitura ao situar a maternidade sob uma perspectiva contemporânea que tensiona idealizações e evidencia dor, memória, cuidado, perda e resistência. Da Silva Filho e Pinto (2023), ao discutirem trabalhadoras negras em produções literárias de Elisa Lucinda, Conceição Evaristo e Deborah Dornellas, articulam classe, gênero e raça como categorias inseparáveis para a leitura da desigualdade, enquanto Malam Sambu Sanha (2022) aproxima Paulina Chiziane e Conceição Evaristo para pensar formas literárias de inscrição de mulheres negras em contextos de opressão social. Teixeira et al. (2024), ao abordarem representações sociais sobre ser mulher na contemporaneidade, ajudam a compreender como os papéis de gênero permanecem vinculados a expectativas normativas que a literatura pode desmontar. Nessa direção, De Oliveira (2020), ao tratar da cultura popular e da poesia social brasileira, permite fechar o eixo introdutório ao indicar que identidades e resistências também se constroem por meio de formas poéticas e culturais que confrontam a exclusão. O objetivo do capítulo, portanto, é analisar como a literatura brasileira contemporânea representa a desigualdade social não como circunstância episódica, mas como estrutura histórica de produção de ausências, estigmas e pertencimentos negados, interrogando os modos pelos quais pobreza, periferia, racismo, violência, gênero e exclusão são convertidos em linguagem literária e crítica social.

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DOI: 10.5281/zenodo.20765901

Publication Date: 2026-06-19

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