A relevância científica e política do tema decorre, portanto, da necessidade de deslocar o debate da alternativa empobrecida entre negar ou afirmar diagnósticos, situando-o no campo mais complexo das práticas de cuidado, das responsabilidades escolares e dos regimes de verdade que definem a infância contemporânea. Araújo (2025), ao discutir a função do laudo médico para a atuação docente, evidencia sua ambivalência: o documento pode assegurar direitos, orientar adaptações e legitimar necessidades específicas, mas também pode cristalizar identidades deficitárias e reduzir o aluno à condição de portador de transtorno. Lellis et al. (2022), ao afirmarem que a medicalização funciona como um carimbo que incide sobre a subjetividade da criança, permitem compreender que o diagnóstico, quando desvinculado de uma prática ética de acompanhamento, produz marcas simbólicas que reorganizam expectativas familiares, escolares e pessoais. Delagnolo (2025), ao mapear discussões em dissertações e teses, mostra que a medicalização da educação vem sendo enfrentada como problema estrutural, atravessado por saberes biomédicos, políticas educacionais, modos de gestão e discursos sobre normalidade.
Publication Date: 2026-06-19