O presente artigo analisa a inserção da literatura feminina no cânone literário, discutindo os desafios históricos enfrentados pelas mulheres no campo da produção e legitimação literária. Parte-se da compreensão do cânone como uma construção histórica, ideológica e política, marcada por valores eurocêntricos, elitistas e patriarcais que, ao longo do tempo, marginalizaram as vozes femininas. Nesse contexto, o estudo busca compreender de que maneira a literatura produzida por mulheres contribui para a reconfiguração do espaço literário canônico, ampliando as fronteiras da tradição e promovendo novas formas de leitura, interpretação e reconhecimento estético. A pesquisa possui abordagem qualitativa, de caráter teórico-analítico, fundamentando-se nas contribuições de Roberto Reis, Elaine Showalter, Sandra Gilbert, Susan Gubar, Virginia Woolf e outros estudiosos da crítica feminista e dos estudos culturais. O percurso metodológico baseia-se na análise discursiva e crítica dos processos de canonização literária, tomando como referência a produção de autoras como Virginia Woolf, Clarice Lispector e Carolina Maria de Jesus, cujas obras desafiam os modelos tradicionais de representação e legitimidade literária. Os resultados evidenciam que a literatura feminina não apenas ocupa espaços historicamente negados, mas transforma o próprio significado do cânone ao revelar seu caráter político, social e ideológico. Conclui-se que a inserção das mulheres no espaço literário implica uma revisão dos critérios tradicionais de valor estético, possibilitando a construção de um cânone mais plural, democrático e representativo. Dessa forma, a literatura feminina amplia o repertório cultural e promove uma leitura crítica das relações de poder que atravessam gênero, classe e raça no campo literário.
Publication Date: 2026-06-13