Dessa forma, o objetivo deste capítulo consiste em analisar criticamente as evidências de equidade e inclusão presentes na produção sobre educação maker, considerando simultaneamente suas possibilidades formativas, seus limites institucionais e suas tensões político-pedagógicas. Boechat et al. (2025) oferecem uma chave conceitual para compreender inclusão e equidade como categorias que exigem diferenciação de estratégias, reconhecimento das desigualdades e enfrentamento das barreiras que impedem a participação plena, enquanto Botelho e Botelho (2024) permitem relacionar cultura maker, ensino-aprendizagem e inclusão social sem reduzir a discussão à dimensão instrumental da tecnologia. Fonseca et al. (2025), ao abordarem motivação intrínseca e criatividade de estudantes do Ensino Fundamental II, contribuem para pensar o potencial maker na mobilização subjetiva dos alunos, desde que essa motivação não seja convertida em explicação individualizante para desigualdades que têm base social, econômica e institucional. Santos et al. (2026), ao apresentarem o dossiê sobre cultura maker, formação de professores e educação inclusiva, reforçam a necessidade de tratar o campo por meio de diálogos interdisciplinares, articulando prática pedagógica, formação docente, inclusão e produção de conhecimento. A introdução, portanto, encaminha a organização do capítulo em dois movimentos: primeiro, a discussão dos fundamentos conceituais da educação maker em sua relação com equidade, inclusão e justiça educacional; depois, o exame das evidências, barreiras e estratégias que atravessam experiências internacionais e permitem interpretar a educação maker não como garantia automática de democratização, mas como campo de disputa sobre o direito de criar, participar, pertencer e produzir conhecimento em condições concretamente menos desiguais.
Publication Date: 2026-06-05